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#cooperativismo digital
#inovação
#colaboração radical


Fevereiro, 2020

#TBT Live: Cooperativismo & Inovação.



Samara Araújo,
Coordenadora de Inovação da OCB
“Somos a 9ª economia mundial, porém ocupamos a posição 62 no Índice Global de Inovação.”





“Quando a gente fala de inovação no Brasil, é importante lembrar que somos a 9ª economia mundial, porém ocupamos a posição 62 no Índice Global de Inovação. Então, temos muito a caminhar nesse sentido. Quando olhamos para o nosso PIB, em comparação com o investimento em inovação, percebemos a necessidade de que todos os setores olhem com atenção e carinho para o assunto e invistam em inovação.”

Tivemos o 14º Congresso Brasileiro de Cooperativismo em 2019, e um dos pilares foi inovação. A importância do tema já era nítida, mas reforçou as diretrizes estratégicas do Sistema OCB para que mais esforços fossem direcionados no sentido da inovação. E dentro desse pilar de inovação no congresso, foram aprovadas algumas diretrizes, como capacitação em inovação, conexão com start-ups para solucionar desafios das cooperativas e integração com plataformas que possibilitem a cooperação.

Lançamos um site ano passado, o Inova.coop.br e a gente tem focado, nesse primeiro momento, em formar uma cultura de inovação. No Sistema OCB representamos o cooperativismo como um todo, cooperativas de todos os portes, segmentos e todas as regiões do país. Por isso, temos uma diversidade de desafios muito grande. Optamos por começar pela cultura de inovação e capacitação pra conseguirmos dar esse primeiro passo e de certa forma nivelar, puxar as cooperativas que ainda não estavam tratando do assunto, ou que estavam iniciando, pra gente trazê-las pra junto das cooperativas que já estavam inovando.

A gente pode ser incrível, entregar um modelo de negócio mais justo, solidário e que permite uma vida melhor pra todos que fazem parte dessa rede, mas se as pessoas não sabem o que é cooperativismo não adianta nada. Comunicar o cooperativismo é fundamental para que a possibilidade de escolha aconteça, e a OCB tem como intuito dar visibilidade para as cooperativas.

O cooperativismo surgiu em um momento de crise, e resolveu. Eu vejo o mundo das Big Techs como grandes oportunidades para as cooperativas. Essas grandes empresas estão sendo colocadas em xeque e sendo forçadas a olhar para o lado humano e da justiça. Ora, o cooperativismo já entrega isso.

Não somos Amazon, Facebook ou Google, somos um sistema de cooperativas, com um modelo novo para o mundo novo que estamos vivendo. Mais do que nunca, é preciso voltar às raízes do cooperativismo para conseguirmos entregar uma alternativa. É uma grande oportunidade de ofertar uma opção com propósito, com justiça, com resultado, distribuindo pra muita gente e não pra poucos.”


Ana Aguirre, Founder/Worker Owner TAZEBAEZ/Spain
“Os valores do cooperativismo são estruturais e fazem uma grande diferença nesse ambiente de inovação.”





“Sou co-fundadora de uma cooperativa de trabalho, a Taezbaez, que em basco, quer dizer: “e por que não?”. O que tem um significado ainda mais importante para nós, já que nossa língua é minoritária, com apenas 1 milhão de pessoas falantes no mundo. Apesar de nossa atuação ser global, é importante mantermos nossas raízes, nosso território e o espírito com o qual começamos a cooperativa, há quase 13 anos.

Fui aluna da primeira turma da Universidade de Mondragón, no curso de Liderança, Empreendedorismo e Inovação e foi aí que começamos a cooperativa. Acreditamos muito nos valores cooperativistas e em todos as vantagens que eles trazem para a sociedade. Especialmente no País Basco, o movimento cooperativista ajudou muito no desenvolvimento depois da Guerra Civil. Mas, com a pandemia, estamos vendo que ele está mais atual do que nunca. Estamos no melhor momento para mostrarmos que o cooperativismo é um movimento forte e que tem um papel importante no desenvolvimento social.

Os valores do cooperativismo são estruturais e para mim fazem uma grande diferença nesse ambiente de inovação. Não acho que são coisas do passado, de Manchester. São de agora, somos solidários, democráticos e tudo mais. Veja por exemplo os objetivos das Nações Unidas de desenvolvimento sustentável. Muita empresa fica fazendo força para dizer que faz isso ou aquilo. Ora, esses objetivos das Nações Unidas já estão inscritos nos valores do cooperativismo. O que hoje é moda, sempre esteve presente no nosso sistema. O que nos falta é falar mais do cooperativismo para fora do cooperativismo e trazer mais gente para a nossa causa.

Dentro desse panorama de tornar o cooperativismo mais acessível a outros grupos, um desafio que temos é como fazer com que as cooperativas já nasçam com um pensamento multirregional, já que a atuação delas está muito atrelada às comunidades às quais fazem parte. É preciso encontrar o equilíbrio entre a multirregionalização e a manutenção das raízes.

Precisamos criar empresas rápidas, ágeis, interessantes de se trabalhar e que demonstrem que cooperativas não são velhas e que forneçam condições diferenciadas de trabalho para seus integrantes. Por isso, acredito tanto no cooperativismo e, em especial, nas cooperativas de trabalho. Ter as pessoas liderando algo, onde a qualidade de vida delas depende das próprias decisões que elas tomam é algo incrível. Isso não tem preço e o poder desse sistema é extraordinário.

Estamos passando por um momento de profundas transformações, amplificadas pelos desafios que a pandemia nos trouxe, por isso estamos criando um curso de cooperativas de plataforma para fomentar o nascimento dessas novas empresas. Este é o melhor momento possível para demonstrar que o nosso sistema é moderno, válido, forte e que está crescendo para novos horizontes.”


Éder Lemke,
VP Sicoob
Centro-Serrano
/CEO BI.Coop

“Se o processo de inovação estiver concentrado apenas no grupo estratégico,
executivo, ele precisa ser encerrado. É fundamental envolver toda a organização pra fazer a cultura da inovação acontecer.”





“Eu fico triste quando vejo a inovação ser reduzida simplesmente ao uso da tecnologia. Esse discurso precisa ser mudado. A inovação é um processo, ela não é um projeto que tem início, meio e fim. Ela é um processo pelo qual você resolve uma dor, e normalmente, a dor de pessoas.

Não há como começar um processo de inovação se você não mudar o mindset, a cultura. A gente tem que entender, principalmente no cooperativismo, que a gente precisa levar o resultado pras pessoas, pros cooperados. Não adianta sair e criar uma área de inovação colorida. Será que é isso? Talvez faça parte, mas eu acho que não se restringe a isso. A gente precisa olhar pro o todo, onde estão as dores, onde vamos conseguir levar o melhor resultado para os cooperados.

Se o processo de inovação estiver concentrado apenas no grupo estratégico, executivo, ele precisa ser encerrado. É fundamental envolver toda a organização pra fazer a cultura da inovação acontecer.

E quando olhamos para nossas estruturas, talvez tenhamos alguns desafios para promover a inovação no cooperativismo financeiro. Será que nossas estruturas permitem um ambiente onde a inovação flui de forma fácil?

Na minha percepção, o papel criativo e estratégico ainda está muito concentrado no topo da pirâmide. Precisamos envolver todas as pessoas que estão lá na ponta, no dia a dia com o cooperado e que conhecem, como ninguém, a dor do cooperado.

Então, eu acho que criar essa cultura, criar formas dessa colaboração acontecer internamente são ações que o cooperativismo financeiro precisa tomar. Não é só olhar para o mercado financeiro e seguir a onda do que está acontecendo em termos de tecnologia.

E no mercado financeiro tem aquela palavrinha que assusta muito – as Fintechs. Ouvimos que elas estão mudando o mercado financeiro. Eu acho que as Fintechs estão focadas em um nicho específico, obviamente elas resolvem algumas dores pontuais, mas elas não são instituições com um portfólio tão completo pra atender todas as necessidades do cooperado. Então, por que não se unir a elas? Enxergar como concorrente não é o caminho. Como é que podemos olhar pras Fintechs e colaborar com elas para dar um resultado mais interessante para nossos associados? Talvez elas ocupem um nicho que nós não estamos conseguindo, de forma dinâmica, atender. Talvez já exista uma Fintech resolvendo aquela dor, então por que não trazê-la pra perto? Fazer uma parceria, para que ela junto com o cooperativismo resolva a dor do cooperado.

E agora, temos talvez o grande boom do mercado financeiro que é o Open Banking. E aí confirmamos porque estamos nos melhores dias do cooperativismo financeiro, sabemos que temos produtos de qualidade a custos baixos e com Open Banking poderemos mostrar para as pessoas que estão fora do cooperativismo como esses produtos podem trazer vantagens que hoje elas não têm. É um mar de oportunidades.

Resumindo, acredito que precisamos mudar nossa cultura, nosso mindset, envolver todo o nosso quadro de colaboradores para, de fato, conhecer onde estão as dores dos cooperados e entregar as soluções que eles precisam, com as modernas tecnologias que temos a nosso serviço. Inclusive, as cooperativas são destaque em tecnologia e nas ferramentas que utilizam. As cooperativas foram pioneiras na implementação do Pix, por exemplo, ou na distribuição de recursos nas comunidades durante a pandemia, aonde o crédito chegou antes da ajuda emergencial do governo. Agora é fazer o mesmo movimento no Open Banking e aproveitar ao máximo essa nova oportunidade de inovação que está surgindo no sistema financeiro nacional.”



Fevereiro, 2020

LIVE//
10.02.21
17h


Uma reflexão sobre o processo de inovação em curso no cooperativismo.





Samara Araújo, Coordenadora de Inovação da OCB, vai contar como a Organização das Cooperativas Brasileiras se apoia na inovação para fortalecer o cooperativismo no Brasil. Ana Aguirre, Founder/Worker Owner TAZEBAEZ/Spain, trará uma abordagem internacional para a discussão e Éder Lemke, VP Sicoob Centro-Serrano/CEO BI.Coop, fará a interseção com o cooperativismo financeiro.

Não perca.

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